Como localizar e usar com efetividade jurisprudências, precedentes e súmulas

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Ao elaborar uma peça processual, frequentemente devemos reunir alguns julgados para que corroborem com nossa tese e deem maior credibilidade ao pedido.

Porém, o que vejo com frequência é a juntada destas decisões de forma ilógica e impensada, só para “fazer volume”ao processo.

Aliás, quem nunca pulou a leitura de uma jurisprudência na peça do colega que atire a primeira pedra.

Em países que seguem as tradições Romanas, a importância das decisões é menor, e portanto encontramos decisões divergentes para casos idênticos. Ao contrário de países que seguem as tradições Anglo Saxônicas, como os Estados Unidos. Observe que nossas decisões não criam precedentes para novas decisões em casos similares com tanta austeridade.

Então muitas vezes me peguei observando colegas que inserem julgados em petições somente para cumprir com um costume dos tribunais, não se preocupando com o conteúdo, adequação ao caso em tela e vigência.

Outra observação muito importante foi a quantidade de julgados juntados em uma mesma peça, onde muitas vezes pensamos que por haver maior complexidade no caso, mais devemos juntar decisões favoráveis, e me deparei com peças gigantes com mais de 10 jurisprudências.

Por consequência, a meu ver fica uma peça “porca e pobre”, feia e maçante de ler.E, se está complicado para eu ler, que dirá para um juiz que recebe inúmeras peças assim todos os dias.

Infelizmente, não nos ensinaram a importância da juntada de para embasar o pedido e consequentemente auxiliar os magistrados a decisões mais justas.

Felizmente, em uma conversa informal que tive com um juiz, entramos nesta seara e recebi dicas valiosas, as quais hoje gostaria de dividir com vocês.

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Profissões que um Bacharel em Direito pode atuar ( até sem OAB)

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Nessa quinta-feira ensolarada resolvi escrever sobre a prisão do ex-presidente Lula e sobre a prisão em segunda instância.

Porém, como acredito que este tema está mais do que batido em outros sites e blogs jurídicos e no intuito de evitar discussões políticas, vou me abster de comentários (por enquanto), mas se alguém achar que vale a pena ler a minha reles opinião, soltarei o post posteriormente.

Queria fazer algo mais light para entreter e dar aquela descansada na mente depois de  um dia exaustivo no escritório, algo mais lúdico, por assim dizer. E se você não reparou, na foto acima temos referências! Mas calma, não farei de você um Mike Ross!

Hoje eu estou aqui para salvar a vida de estudantes, recém formados e pessoas que ainda não passaram no Exame de Ordem (calma, sua vez vai chegar!)

Existem certas áreas que você como estudante de direito ou como graduado, mas sem a inscrição na OAB, consegue atuar em áreas correlatas ao direito, angariando experiência profissional e até criando uma rede com seus futuros clientes.

Se alguém tivesse me avisado de todos esses jobs durante a faculdade, já teria começado cedo a me preparar e talvez não tivesse passado pelos perrengues de um recém formado. Enfim, coisas da vida.

Sem chororôs e referências, vamos ao post!

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Regras fora da lei – quando seu direito é violado com desculpas.

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Já leu aquela plaquinha no estacionamento do mercado, dizendo que não se responsabilizam pelos seus pertences deixados no veículo?E aquela mensagem nas comandas (principalmente de balada), dizendo que se ela for extraviada, será cobrada uma taxa (que geralmente é exorbitante), ou então aquela frase “Não aceitamos devoluções”.

Todas elas tem uma coisa em comum. Não são verdades absolutas e não expressam com exatidão o que está expresso em lei.

Muitas deles, em minha reles opinião, serve apenas para deixar o consumidor atento, desmotiva-lo a não procurar seus direitos quando necessário. Porém, o que o estabelecimento esconde é que sim, você está protegido pela lei, e sim, ele e responsável pelo dano ocasionado ou até mesmo não poderá te cobrar de alguma situação atípica.

Desta forma, elaborei uma listinha singela com os casos mais comuns.

Vale lembrar que este post foi ideia de um dos meus seguidores. E peço que as outras pessoas que me deram ideias, aguardem, porque vou sim escrever sobre todas.

Deixo aqui também meu agradecimento a participação e o carinho de todos que me enviaram mensagens.

 

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Proibição do tabelamento da taxa de corretagem de imóveis

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Muito falo sobre a vida, e nada sobre direito imobiliário não é mesmo? Se deixar, fico filosofando aqui e direito imobiliário que é bom, nada.

Vamos mudar isso trazendo uma notícia fresquinha, quentinha.

A propósito e não menos importante, essa semana teremos duas postagens, pois na semana passada pulei a quinta-feira. Tive uns imprevistos pessoais, me perdoem a desídia, mas realmente não pude escrever.

Como uma forma de me redimir, aceito sugestões para o post desta quinta-feira hein! Mentira, pode sugerir sempre!

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Dia da mulher

Nesse dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, fiquei pensando sobre as mulheres pioneiras nas carreiras jurídicas.

Quantas mulheres que lutaram para que pudessem ser advogadas, promotoras, juízas, desembargadoras e policiais?

O que essas mulheres passaram para chegar até o lugar que ocuparam e o que fizeram para abrir as portas para que outras mulheres pudessem fazer o mesmo.

Em pesquisas, não achei relatos de sofrimento, dor, abusos, sofrimento, mas estão recheados do mau e velho machismo. Achei histórias e discursos de mulheres vitoriosas, que tinham tanto orgulho de suas carreiras que sequer passaram por cima de tudo para alcançar o posto que tanto sonharam.

Nesta data que para mim não é tão bem vista, devido a comemorarmos porque um homem queimou muitas mulheres em uma fábrica (se não sabe dessa história da um google); pensei em contar um pouquinho da história dessas mulheres.

E só um recado, se você é homem, não parabenize uma mulher somente pela beleza hoje, ok? Somos inteligentes, determinadas, esforçadas, corajosas etc. Ache alguma qualidade menos óbvia.

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Metas para 2018

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Olá pessoal, tudo bom?

Desculpe o sumiço repentino. Novos projetos e novos trabalhos, me desorganizei um pouco para atender as demandas e acabei me desligando um pouco do blog.

Falha minha, que julgo eu está sanada daqui por diante.

Atrasado, mas não menos importante, gostaria de falar de metas para 2018.

Todo ano é aquela mesma coisa, fazemos planos logo em janeiro, e tentamos de certa forma controlarmos o ritmo das nossas vidas com uma pequena lista de realizações.

Muitos sites, blogs e canais do Youtube usam dessa “energia organizacional” para divulgar ideias e muitas vezes fazem aquele merchan básico de agendar, bullet journal e apps.

Seguindo por este raciocínio e vendo muita propaganda sobre, resolvi fazer aqui uma sequencia do que realmente vale a pena investir para que suas metas saiam do papel e o que você deve descartar.

Claro que cada um é cada um, e uma técnica que funcione para você pode não funcionar para mim, mas vou tentar separar as maiores tendências do que realmente é efetivo usar

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Oh mocinha, você que é a advogada?


 

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Em um grupo que sigo sobre advocacia, uma advogada publicou que se sentia incomodada por ter que explicar para inúmeras pessoas e nas mais variadas situações que era advogada.

Essa é uma situação comum a muitas mulheres (principalmente) e pra quem está em início de carreira.

Confesso que me identifiquei com seu relato, e isso me motivou a escrever o artigo de hoje.

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O que aprendi como Correspondente Jurídico

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Quando terminei a faculdade, fiquei meio perdida, sem saber qual rumo tomar na vida. Me vi em uma situação em que estava com a tão sonhada OAB nas mãos, força de vontade, mas aquele medo e insegurança de principiante prestes a se jogar ao mar, cheio de tubarões, além de nenhuma oportunidade de emprego a vista.

Uma das ideias que tive para dar um up nas finanças, além de iniciar as atividades como advogada foi trabalhar com correspondente jurídico.

Então hoje farei algumas observações sobre esta atividade, bem como dicas e macetes para se sair bem em qualquer diligência.

O que é ser Correspondente Jurídico?

Você já deve ter ouvido falar sobre correspondência jurídica em muitos locais e até já deve saber o significa, porém, em breves palavras, explicarei a definição para quem ainda tem dúvidas.

Correspondente jurídico é aquela pessoa contratada por um terceiro (advogado ou escritório de advocacia) que prestará serviços jurídicos a este, mediante pagamento previamente ajustado.

Geralmente estes escritórios ou advogados procuram correspondentes fora da cidade em que atuam, visto que somente o deslocamento destes para efetuar a diligência seria oneroso demais frente a contratação de algum profissional que já esteja na cidade.

Como localizar um correspondente?

Existem diversos sites especializados em oferecer serviços de correspondência e até grupos de Whats App específicos para isso. Até meu blog tem um setor somente de cadastro de correspondentes, totalmente gratuito, onde divulgo a lista para diversos escritórios.

O mais comum é se cadastrar nesses sites especializados, geralmente são pagos e os valores variam conforme a visualização e tempo de exposição.

Seu cadastro fica disponível, e caso algum profissional precise dos seus serviços ele consegue te localizar por campos de busca, como cidade e até área de atuação.

A princípio a procura pelos meus serviços foram poucas, porém se me dar prejuízos aos valores em que havia pago para me cadastrar.

Com o passar do tempo fui “fidelizando” os escritórios e demais advogados que me procuravam e fechei algumas parcerias, trazendo maior rentabilidade.

Criando o perfil no site

O que pude observar é que quanto mais completo seu perfil estiver, maior as chances de ser contratado. Os sites permitem que você insira seus dados principais em campos previamente determinados e na maioria deles há um campo onde você pode descrever suas atividades e conhecimentos. Capriche neste item. Se descreva com profissionalismo e clareza, informando os serviços oferecidos e áreas de atuação. Isso chama mais atenção em meio a tantos outros cadastros preenchidos de forma semi-automática. Não esqueça de deixar sempre seus contatos como e-mail e telefones sempre atualizados.

Serviços

O correspondente jurídico pode atuar nas mais variadas atividades, desde cópias (fotos) de processos, até despacho com juízes ou desembargadores, esteja preparado para tudo, audiências, protocolo de documentos (fórum e demais órgãos públicos) etc.

Existem situações que serão as primeiras a serem feitas, por exemplo, um despacho com um juíz, atividades estas comuns aos advogados, então para estas atividades, mesmo com medo, vá com medo mesmo. Se certifique de saber exatamente como proceder e vá. Se não souber fazer, peça ajuda a um colega ou até mesmo aos serventuários. Acredite, eles não mordem!

Em contrapartida, não acho vantajoso oferecer serviços em uma área que não atue ou que não tenha conhecimento, por exemplo, fazer uma audiência de instrução trabalhista, sendo que sua área é criminal. Isso vai gerar um desconforto muito grande e uma perda desnecessária de energia, além de colocar em risco a prestação do seu serviço.

Valores

Aqui vão alguns pontos que merecem muita atenção.

É interessante antes mesmo de qualquer diligência marcada você providenciar um descritivo dos serviços oferecidos e os valores relativos a eles, assim, quando alguém entrar em contato com você, não há possibilidade de ficar perdido pensando em quanto cobrar, passando maior credibilidade a quem o contrata.

Para calcular o valor, primeiro veja o valor gasto em transporte para o local que deverá ser feita a diligência, gastos com impressão (se houver), e o mais importante, o valor do seu trabalho e do seu tempo.

Quanto vale o seu tempo? Já pensou nisso? E seu trabalho?

Não adianta nada você oferecer o valor mais barato para fechar a diligência, sendo que os gastos despendidos para efetua-la serão maiores. Você precisa de lucro, e esse lucro é o valor do seu tempo e trabalho. Não passe valores irrisórios, pois você estará se desvalorizando. Siga a tabela da OAB, e se não houver o valor estipulado pela tabela, estipule o seu valor, sem desvalorizar toda a classe.

Fechando o negócio

Depois do cadastro e feito sua tabela de valores em mãos, aguarde os pedidos. Geralmente eles vem por e-mail, ou por telefone. Esteja pronto sempre. Se for por e-mail, deixe bem claro o valor da diligência e o tempo a ser cumprida. Muitas vezes os advogados tem prazo para cumprir e não querem ficar presos a um documento que nunca chega.

Se atenha aos detalhes solicitados. Cada caso é um caso, se atenha ao que foi solicitado e leia com atenção e cuidado. Sei que é difícil contar as vezes a emoção aos primeiros serviços, mas você tem que ser profissional e zeloso, em outras palavras, não leia o e-mail correndo.

Por telefone, informe suas condições e peça para que o contratante envie as informações por e-mail, assim haverá a documentação do que deve ser feito, sem possíveis riscos para uma diligência mal feita.

Em alguns casos você precisará de documentação do contratante o autorizando a fazer determinada atividade em nome do escritório, então, certifique-se disso antecipadamente para que você não fique pisando em ovos depois.

Efetuando a diligência

Pegue todas as informações possíveis do serviço que será feito. Saia munido com tudo do escritório. Nem preciso dizer que mesmo sendo correspondente, você deve fazer seu trabalho com atenção e profissionalismo, além de estar vestido adequadamente para a situação.

Aconselho a salvar o contato telefônico do escritório ou do advogado, pois caso houver algum imprevisto você consiga se comunicar imediatamente, explicando a situação.

Lembre-se, você é um correspondente, mas mesmo longe dos olhos de quem o contratou, deverá prestar seu serviço de forma perfeita, não de margem para erros e faça seu trabalho da melhor forma possível.

Fazendo a devolutiva

Após efetuada a diligência, informe ao escritório da conclusão ou passe os documentos solicitados (por e-mail ou correio) e envie junto seus dados bancários para depósito ou outra forma de pagamento já previamente estabelecida.

Alguns escritórios pedem envio de RPA ou Nota Fiscal, certifique-se disso antes de fecharem o negócio, são fáceis de fazer mas não é bom faze-la as pressas.

Emita recibo após o recebimento e envie ao escritório. Muitos correspondentes não fazem isso, mas é extremamente diferenciador e profissional tal atitude.

Não recebi os valores acordados, o que fazer?

Infelizmente existem muitas pessoas e até escritórios com má índole, então alguns atrasos, inadimplências e até calotes poderão ocorrer. Esteja preparado. Não adianta surtar por causa de um mau pagador (mesmo que estivesse precisando muito do dinheiro).

Envie e-mails cobrando, deixe documentada suas tentativas. Também efetue ligações. Geralmente ligando as pessoas mudam. Peça para que confirmem a data de pagamento e deixe documentado. Se mesmo assim o pagamento não foi efetuado, está na hora de buscar ajuda.

Há dois caminhos: o primeiro é ir ao Conselho de Ética da OAB de sua cidade com o relato por escrito do que ocorreu e documentações pertinentes, tal alternativa não obriga o escritório ou advogado a pagar a diligência, mas haverá advertência, o que para alguns é mais grave do que finalmente efetuar o pagamento.

Também pode pleitear seu pagamento na justiça, algo que aconselho em ultima instância, mas se faz necessário em qualquer caso de inadimplência.

Para estes maus pagadores também faço uma black list interna no meu escritório, onde sei exatamente quem devo oferecer meus serviços e a quem não devo.

 

 

Espero que tenham gostado das dicas, deixem um gostei para divulgar meu trabalho e os convido a participar das redes sociais e do blog.

Muito obrigada e até o próximo artigo!

Facebook

Vamos falar sobre intolerância e preconceito?

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Olá pessoal!

Eu nem acredito que vou falar sobre um conflito racial. Isso me faz pensar no que está acontecendo no mundo. Estamos dando marcha ré na história.

O conflito e tragédia que ocorreu em Charlottesville no ultimo sábado (12/08) serviram como um empurrão para mim, para falar de um assunto que a muito tempo venho protelando, justamente para não causar conflitos em redes sociais.

Em minha ingenuidade, achei que essas coisas de conflitos raciais estava caindo por terra, sendo algo do passado, algo feito por grupos de minorias.

Mas o que aconteceu nesse final de semana me mostrou uma realidade que não quero ver, e que mesmo que eu não sofra essa realidade todos os dias, apenas abaixo a cabeça e finjo que ela não está ali.

Abordar diretamente o conflito será um tema maçante e ultrapassado, visto que todos os jornais do mundo já fizeram isso. Não estou aqui para copiar notícias, e sim para esmiuçar problemas.

O mundo ainda é racista, homofóbico, xenófobo, machista e cheio de qualquer tipo de preconceito sobre qualquer coisa que for “diferente”.

Em pleno século XXI, com todo o avanço tecnológico e todo o conhecimento e informação colocado literalmente na mão de todo mundo, ainda ouvimos falar de conflitos entre pessoas intolerantes.

Pessoas que não toleram a cor, a raça, a crença, o culto, o sexo, o gênero, o partido político e o time de futebol de outras pessoas.

Pessoas que julgam os outros e não fazem a mínima questão de olharem para o próprio umbigo e deixarem o outro livre.

Falar de tolerância nesse ponto fica até estranho, pois tolerar é suportar algo, não entender. E quando suportamos tudo, podemos suportar qualquer coisa. E dentro dessa tolerância, nasce a intolerância, e grupos intolerantes. É um ciclo.

Pedimos que as pessoas sejam tolerantes, mas a tolerância demais pode criar extremistas, como no caso vem acontecendo no mundo todo.

O que aconteceu em Charlottesville não é apenas o reflexo das atitudes do atual Presidente dos EUA, Trump, mas sim, o reflexo do que existe de pior no ser humano, e que tentamos esconder.

Todos temos preconceitos. Todos os países ainda são racistas. É uma realidade que não queremos enxergar, mas que está ai. Só precisamos de um gatilho, só mostrar a pontinha do iceberg, para vermos toda a porcaria que há embaixo.

Trump incentivou a ideia de grupos extremistas e neonazistas ao impedir a entrada de imigrantes no país. Esses grupos já existiam,  e precisavam somente de uma pequena ideia de que suas ideias poderiam estar corretas, para que seu movimento ganhasse força. Não que Trump tenha feito isso de propósito, mas para estes grupos, qualquer indício de que um líder ou pessoa influente tenha preconceitos raciais, já se transforma em algo a ser exaltado e divulgado.

Onde estavam esses grupos na Presidência de Obama? Reclamando dentro de suas casas, em grupos secretos, adormecidos. Esperando somente uma oportunidade.

Infelizmente, antes desse conflito eu acreditava que o mundo estava se curando desta doença, mas não. O racismo estava lá,  incubado, só esperando a imunidade do mundo abaixar para dar suas caras, e ficamos gripados de novo.

Ainda nos preocupamos com o livre arbítrio do outro e exaltamos aquilo que consideramos especial em nós próprios.

O que aconteceu nos EUA é apenas o reflexo do que ainda existe no mundo. Em todos os países existem intolerantes, existem grupos que promovem essa intolerância.

Um brasileiro inclusive parabenizou pela internet um dos grupos supremacistas brancos que participou do conflito na Virgínia, e foi rechaçado dizendo que tal grupo não o considerava legítimo por ser latino e que não teria direito de se manifestar sobre tais ideais. (Tome trouxa!).

Para os americanos, que são bombardeados todos os dias com elogios da mãe Terra, dizendo que são os melhores do mundo, um brasileiro é uma minoria a ser combatida. Para esse tal brasileiro, negros, libaneses e até nordestinos são suas minorias. Quando você diz que algo brega ou feio é baiano, você está colocando em prática a xenofobia, o racismo. As vezes sem perceber.

Enquanto isso grupos neonazistas alemães leem essas notícias comendo um strudel, dando risada, pois eles que são a verdadeira “raça pura”, e as Américas são povoadas por seres inferiores. É até divertido ver América do Sul e América no Norte competindo por uma ideologia que eles criaram.

De onde vem essa intolerância? Esse preconceito? Nascemos assim?

Obviamente que não. Ao longo do tempo as pessoas e o local onde vivemos vão inserindo ideologias e padrões de comportamento, e ainda recebemos tais ensinamentos de que o padrão é o branco, o claro, o puro, o magro. Para países em que se exalta a nacionalidade, é evidente que esses grupos ainda resistam as atuais mudanças, como no caso, os EUA.

O problema não é nem o preconceito, mas sim o que você faz com ele.

Acredito que não exista ninguém nesse mundo livre de preconceitos. Todos temos. O problema é como lidamos com ele. A partir do momento que exaltamos alguma particularidade a fim de diminuir ou até rechaçar algo que não gostamos, estamos praticando o preconceito e a intolerância.

Se eu digo que não gosto de uma determinada série, e outra pessoa que gosta, me diz que não assisti direito, que não entendi ou que estou sendo do contra, está na verdade sendo intolerante sobre meus gostos.

Uma pequena amostra do que falo é pelo experimento feito em 1967 em uma escola americana, retratado brilhantemente no filme “A  Onda” (Die Welle) de Dennis Gansel, onde fizeram um experimento com alunos do ensino médio, mostrando como é criado um regime totalitário e como ocorre a manipulação ideológica.

Em um mundo onde mudamos constantemente de líderes, partidos e ideias, algumas pessoas precisam de ideais, mesmo que extremistas, para se basear. As pessoas precisam acreditar em algo maior que elas, mesmo que essa coisa maior não tenha propósito ou fira a integridade e desrespeite o direito de outras pessoas. Essa crença se inicia em grupos, o grupo dos nerds, das patricinhas, dos corinthianos. E vai aumentando gradativamente. Os tucanos, os coxinhas, os petistas. Não são apelidos, são rótulos, que vestimos e saudamos todas as manhãs, numa tentativa fraca e frustrada de se autoafirmar.

Se o racismo estivesse mesmo sendo apagado da memória da humanidade, a passeata em Charlottesville não teria se transformado em um palco de sangue. Era apenas a manifestação contra a retirada de uma estátua da cidade, homenageando o Confederado Robert E. Lee, um dos militares americanos mais respeitados devido a suas vitórias nas batalhas durante a Guerra Civil, porém, em sua história ele apoiou alguns ideais escravagistas, como a não concessão de voto aos negros, fazendo com que esses grupos neonazistas o consagrassem como um modelo americano a ser seguido.

Alguns grupos se sentiram no dever de proteger o patrimônio cultural, culminando no conflito. Por uma estátua, 1 pessoa morreu e 19 ficaram feridas no conflito. Isso só serviu para aumentar a autoafirmação de seus partidários, que ganharam espaço nas m;idias mundiais.

Para encerrar, Trump se manifestou dois dias depois do corrido e acredito que só o fez agora devido as pressões das redes sociais. O seu silencio para mim demonstra apenas uma coisa: “quem cala, consente.” Trump fica em cima do muro quando o conflito se trata de questões raciais, mesmo porque se referiu ao ocorrido como um episódio de “violência de todo tipo”. Parece que dói falar as palavras racismo, xenofobia, nazismo, e relembrar a Ku Klux Klan.

Na verdade ele deu de ombros ao ocorrido, e isso é mais um pontinho para estes grupos neonazistas que vão ganhando espaço.

Ainda mantenho a boa e ingênua esperança de que estamos galgando posições mais livres, com um mundo mais tolerante, porém me sinto uma idiota por esquecer que ainda existam pessoas assim no mundo. Menos idiota do que aquele cara que saudou os manifestantes americanos, e foi rechaçado por ser brasileiro e os americanos que se dizem melhores do que todo mundo, mas se esquecem que também não fazem parte da listinha ridícula da raça pura, e que seu país foi colonizado por pessoas que fugiam da intolerância religiosa da Europa. Esse pessoal deveria estudar mais história e parar de passar vergonha!

 

Bom pessoal, por hoje é só!

Não se esqueçam de se inscrever e compartilhar com os coleguinhas!!

 

 

 

Projeto Correspondente

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Olá pessoal!

Se você acompanha o blog e a página do Facebook, sabe que no mês passado lançamos uma pesquisa para coleta de informações sobre serviços de correspondente.

Foram 10 perguntas simples, que englobavam principalmente o valor cobrado em uma diligência, a satisfação e valorização do correspondente em seu próprio trabalho e nível de dificuldade. Dentre essas 10 perguntas, coloquei algumas em caráter mais pessoal como sexo, etnia e idade. Foram perguntas chaves para o objetivo do projeto, os quais explicarei a seguir.

Foram 180 pessoas que responderam as perguntas, e a todos vocês deixo meu agradecimento. Sem vocês nada disso seria possível.

Continue lendo “Projeto Correspondente”